[Des] Ensinando

Desconstruindo ideias e reformando pensamentos

Ciberativismo contemporâneo e radicalismo tradicional

Desde a Primavera Árabe, as redes sociais vem cada vez mais tornando-se indispensáveis para atingir a massa e acumular adesões, principalmente de eatudantes, nos prostestos por uma democracia frente aos problemas do capitalismo. Porém, ao mesmo em que há intenções de manifestação, de tomar às ruas, há também um compartilhamento infindo de informações superficiais em troca de “likes” para incluir-se na sociedade em rede, o que, na prática, aumenta o ciberativismo, mas diminui o ativismo “real” que efetivamente atua como ação modeladora no mundo material.
No Brasil, em 2002, 15% dos jovens entre 18 e 24 anos cursavam nível superior, segundo dados do INPE. Em 2011, o número saltou para 29,9%. Ou seja, a escolarização aumentou e o nível crítico também. O acesso mais fácil à informação e a crise econômica impulsionaram nas redes sociais a vontade de mudanças nos mais variados campos, mas ainda peca-se na qualidade das discussões e pela falta de comprometimento com o que cada um publica. A mudança pode até começar virtualmente, mas não se faz uma revolução atrás de uma tela. Só há ação do governo quando esse sente-se pressionado pela massa popular e não é na internet onde isso acontece. Prova disso é o grande número de recentes manifestações em que o povo ocupa espaços públicos e não fica à mercê de conhecimento panfletário.
Ainda assim, fica nítida a grande discrepância entre a quantidade de “confirmados” e a porção dos que realmente compareceram nos protestos de junho no Brasil, por exemplo. A “combinação persuasiva” do clicar e do “fazer o que os outros fazem” é fruto de uma sociedade de aparências que julga, discrimina e segrega quem não segue as modas. A necessidade de incluir-se e a comodidade das tecnologias fez surgir um ciberativismo inconsciente não configurado em ação política democrática.
Tudo é política. Consciente ou inconscientemente, na cibersociedade ou não, tudo é política. Mas é necessário separar o que de tudo o que acontece é apenas “falar político” e o que é efetivamente transformação, ação, política. O ciberativismo só inclui-se nesta última quando deixa a internet e atua diretamente no mundo físico. Caso contrário, não passa de mais uma maneira para fazer parte de uma sociedade imaterial que muda e exige “conhecimento”, não mais apenas capital.

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Sobre Nique

leve tendência à psicose

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Publicado em 20 de agosto de 2013 por em Política, Sociedade.

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