[Des] Ensinando

Desconstruindo ideias e reformando pensamentos

Cultura: importante, cara, de todos os jeitos e, às vezes,… acessível!

Bom, não é preciso ser um devorador de livros ou aficionado em cinema para saber o quanto pesa no bolso querer uma vida culturalmente bem vivida. Basta pegar o catálogo de uma das grandes livrarias do Brasil (que são poucas, graças ao fenômeno das fusões) e averiguar o preço estrondoso que é posto nos livros, principalmente em livros universitários e de grande renome, os “clássicos”. No mesmo sentido temos os shows, exorbitantemente caros: não é fácil e nem um pouco agradável pagar três dígitos (quando não são quatro) para conseguir ver um palitinho lá na frente, o artista que você tanto admira.

O que nos resta são os jeitos que damos: sebos, meia-entradas, downloads e, aonde queria chegar, pirataria. Há toda uma discussão hoje, cada vez mais inflamada, sobre propriedade intelectual, onde há dois lados principais: aqueles que defendem a autoria e a cobrança dos direitos de imagem, de reprodução, de usufruto do material (não é preciso enfatizar novamente o preço às vezes imposto) e os outros que defendem, ou melhor, que simplesmente vendem mais barato, ou “pegam” essas mídias e utilizam sem “respeitar” o que a lei manda. A questão chegou em tal seriedade que atualmente temos, em vários países (inclusive no Brasil),  Partidos Piratas, que visam, através da política, quebrar com os altos preços pagos nos elementos culturais da sociedade.

Ao mesmo tempo, muitas produções (principalmente documentários, curtas e longas metragens) vêm sendo feitas hoje em dia sem procurar lucros exorbitantes na divulgação, com a livre reprodução, na maior parte das vezes, na internet; ferramenta essa que cada dia mais mostra sua força não na reprodução e acessibilidade de  dados. Algumas dessas publicações vem com o selo da Creative Commons. Um exemplo recente é o documentário, dirigido por Alípio Freire1964: Um Golpe Contra o Brasil. Tive a oportunidade de estar em uma apresentação desse documentário, com a sua presença e comentários, onde fez o pedido de que reproduzíssemos ao maior número de pessoas que conseguíssemos, enfatizando a dificuldade da produção independente no Brasil.

Não se enganem quando aquela famosa tarja (vide abaixo) aparecer em um filme ou relativo. Alípio informou que a quantia é pífia perante o necessário para uma boa produção. O que acontece, então, é a monopolização (de novo essa história?!) da produção cultural, em geral.

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Vemos hoje no cinema e na televisão, se focarmos principalmente na comédia (que é o principal produto cinematográfico brasileiro) um mesmismo sem igual. Não consigo distinguir muito entre os últimos filmes que saíram (claro que guardando o respeito para grandes obras recentes como o tão aguardado Faroeste Caboclo), e nem eles com o humor da televisão: programas como o Zorra Total ou o CQCRecentemente li um excelente artigo (não consegui inteiro) acerca do humor preconceituoso existente nos canais abertos, uma tentativa de massificação e, sendo mais radical, de perpetuação do valor negativo em senso comum do próprio preconceito. Para mais aprofundamento no assunto, recomendo o excelente documentário O Riso dos Outrosde Pedro Arantes.

Enfim, o ponto em que queria chegar. Aproveitando até o link que aqui coloquei, do documentário inteiro, de graça, pronto para ser assistido. Isso demonstra o que já mencionei da internet e etc. Mas atualmente, a possibilidade de acesso à cultura de qualidade é gigantesca. Quero começar destacando pelas Bibliotecas Municipais (esse texto começo a ser redigido em uma): nelas, além de ser muito fácil adquirir a carteirinha (grátis!) e tomar emprestado toda uma variedade de livros, consultar outros volumes, revistas e jornais; há uma agenda bem tumultuada de apresentações de filme, palestras, discussões, entre muitos outros eventos, que vale a pena conferir. Em São Bernardo do Campo, onde estou mais a par da situação, é possível verificar essa agenda no Guia da Cidade. Guia esse que também contém as atividades realizadas em outros pontos da cidade: os Teatros Municipais apresentam obras gratuitas quase que sempiternamente. Já assisti várias e devo admitir que são muito boas (uma delas foi Cartas a um Jovem Poeta, de Rainer Maria Rilke). Indo mais além, os parques da cidade trazem todo mês shows gratuitos, onde já se apresentaram por exemplo A Banda Mais Bonita da Cidade Marcelo Jeneci.

Peço desculpas por falar só de SBC, mas é a cidade onde estou mais por dentro (até por isso peço uma contribuição de leitores das outras cidades que citem o funcionamento da cultura em suas terras). Porém sei também, por exemplo, até porque fui um usuário assíduo, do Programa Acessa São Paulo, onde, só com um rápido cadastro, abre-se a possibilidade do uso da internet gratuitamente.

Não posso deixar de lado a cultura de rua, que sempre foi a força-motriz da cultura verdadeiramente brasileira. Entidades como a Cooperifa são muito importantes para o desenvolvimento de um trabalho artístico e cultural através da literatura, como é o caso da Cooperifa, do Rap, que considero a maior expressão de descontentamento da situação brasileira, entre muitos outros projetos que valem a pena serem conferidos.

Bom, para finalizar, atesto que é possível se engajar no mundo cultural sem, para isso, desprender muito do bolso. Bibliotecas, parques, cinematecas, entre muitas outras instituições estão aí para serem usadas. Devemos aproveitar agora que elas ainda existem, pois como é fácil observar, muitas bibliotecas estão em estado lastimável. Isso, combinado com o fato que 70% da população nunca sequer foi a uma, traz um ímpeto de reverter esse quadro. Que viva a cultura!

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Publicado em 1 de agosto de 2013 por em Sem categoria.
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