[Des] Ensinando

Desconstruindo ideias e reformando pensamentos

Querido diário,

Querido diário,

Hoje, mais um vez, me perguntei por que eu escolhi ser médica. Está difícil. É muito esforço, horas e horas de estudo, dúvidas e mais dúvidas sobre tudo, todas as universidades públicas com concorrência ampla altíssima. Não estou me julgando incapaz, ou colocando nas cotas a culpa do meu fracasso temporário. Só penso que se todo o dinheiro que foi mal aplicado pelo governo (quando não foi roubado) tivesse sido investido em educação, saúde, pesquisa e infraestrutura, o acesso ao ensino universitário e a todos serviços públicos seriam mais justos e igualitários.

É justamente disso que encontro a resposta para meu questionamento inicial. Não nasci em berço de ouro, mas tenho arroz e feijão no meu prato todos os dias, tenho uma cama e um cobertor para me deitar todas as noites, tenho uma família e amigos para me reconfortar. Porém, essa minha realidade não se repete em todos os lares desse mundo, aliás muitos nem um lar não têm. Sendo médica, estarei a cada dia cuidando dos meus iguais, do meu povo. Quero, todos os dias da minha vida, ser útil. Fazer desse mundo um lugar melhor. Eu ainda acredito nas pessoas e não deixarei de acreditar. Nós somos a grande força transformadora.

Perguntam-me o que a sociedade faz por mim em troca do meu esforço. Minha resposta é que faz muito. Em uma semana, vi 1 milhão de pessoas protestando para que eu possa pegar um ônibus na frente da minha casa, me sentar e viajar confortavelmente até meu destino pagando um preço justo por isso. Os meus problemas são problemas da sociedade e os problemas da sociedade são os meus problemas. Não existe indivíduo sem sociedade, não existe sociedade sem indivíduo.

Não luto por uma bandeira, por um hino ou por um Estado porque eles não me representam. Luto por um povo. Povo do qual eu vim, do qual sou e do qual serei. Consciência de classe. Quero viver e ser livre. Quero não ter fronteiras.

 

Desculpem-me os gramáticos, mas não colocarei um ponto final ao término desse páragrafo, pois espero que isso que estamos vivendo não pare por aqui. Temos força para inverter a ordem. E que não haja ordem ou repressão

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Sobre Nique

leve tendência à psicose

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Publicado em 19 de junho de 2013 por em Sem categoria.
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