[Des] Ensinando

Desconstruindo ideias e reformando pensamentos

Reduziram! Mas não deles!

A crise (e chamo de crise porque sempre tem alguém que lucra com crises) do transporte público, com passagens cada vez mais astronômicas perante um serviço que deixa muito a desejar, está trazendo muitos problemas para a população que depende deste meio de transporte hoje. Ônibus que demoram muito tempo para passar, chegam lotados e com um preço muito salgado, chegando a uma taxa mensal de quase 20% do salário mínimo (contando duas passagens por dia em 20 dias mensais).

O resultado são protestos, retratados pela grande mídia como caos de baderneiros que não tem nada o que fazer (a fala de sempre: a polícia teve que usar gás de efeito lacrimogênio e balas de borracha). Protestos estes que são a grande arma do povo para se rebelar contra esse aumento inexplicável em tão grande dimensão, já que o único benefício advindo dele é o lucro dos patrões, que se esbanjam em mansões por aí.

Benefício: essa é uma boa palavra para o foco desse texto. Pois acabou de sair a Medida Provisória nº 617, que livra as empresas de transporte coletivo de passageiros a pagar dois impostos: o PIS/PASEP (Programa de Integração Social) e o COFINS (Contribuição para o Financiamento da Securidade Social). Isso trará uma queda de 3,65% na folha de despesas dessas empresas. O governo federal explica essa medida como um “incentivo” para que as empresas não aumentem mais a passagem (e não que a diminuam). Os mais afiados contra o governo dizem que essa MP vem no contexto de pré-eleição, onde a inflação e a conjuntura econômica não está muito amiga de Dilma.

Essa medida, na realidade do ABC, surgiu efeitos positivos (dependendo do ponto de vista). A passagem de ônibus em 5 cidades da região (São Bernardo, Santo André, São Caetano, Mauá e Ribeirão Pires) cairá 3%, vindo de R$3,30 para R$3,20. Um avanço se pensarmos do ponto de vista prático da coisa, pagar-se-á menos por “corrida”.

O problema está na origem da redução: não aconteceu oriunda da redução pelas empresas, mas pela isenção de impostos. Isso significa que o lucro dos grandes empresários do ABC, e principalmente de SBC (Luiz Marinho é o presidente do Consórcio Intermunicipal, anunciou a medida e tem fortes laços com as empresas de transporte, que dão nome a maior parte das ruas da cidade), continuam os mesmos, com o recente aumento de 13%. O ônus ficará para o Estado, que terá menor orçamento, que significa menos dinheiro para políticas públicas efetivas para a população. E sendo pessimista, o governo precisará de outra origem para a defasagem. De onde será que virá, dos grandes empresários por aí, ou do povo?

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Um comentário em “Reduziram! Mas não deles!

  1. Eduardo Couto
    7 de junho de 2013

    E só um adendo: a passagem do “Terminal São Caetano” 147, tá R$4,10!!! Deveria ser 157, e não 147! Além disso, um ranking das tarifas nas capitais: http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/tarifas-de-onibus/

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Publicado em 7 de junho de 2013 por em Capitalismo, Política, Sem categoria.
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