[Des] Ensinando

Desconstruindo ideias e reformando pensamentos

Médicos estrangeiros: O debate é a vida

Primeiramente, perdão pela demora na publicação de um post com as ideias sobre a vinda de médicos estrangeiros no blog. A discussão é bastante densa e exige uma pesquisa maior para emissão de qualquer tipo de opinião. Lembro também que tudo o que for escrito por aqui é opinião pessoal, pois há possibilidade de divergências quanto a mesma entre os autores do Desensinando.

Ando acompanhando algumas opiniões sobre a vinda dos médicos estrangeiros ao Brasil, e diferente de outras discussões e levantamentos, ou até mesmo achismos que alguns levantam, é que essas opiniões são sobre a VIDA de outras pessoas. É de um egoísmo tremendo o alarde que vem fazendo o sindicato dos médicos brasileiros, ao se mostrarem totalmente contra a vinda dos estrangeiros no país. Primeiro porque parecem esquecer que há uma carência enorme de médicos, principalmente no que diz respeito à regiões mais carentes, sobretudo no Norte e Nordeste do Brasil. Não desconexo a esse fato, uma pesquisa do Datafolha mostra que os moradores dessas regiões são em sua maioria a favor, enquanto as elites se mostram contra. É parecido com o caso do Bolsa Família, guardadas as devidas proporções: enquanto quem necessita de uma ajuda emergencial é logicamente a favor, quem está em sua zona de conforto se mostra contra, em solidariedade aos seus irmão elitistas.

medicosprotes-25-06-13

Não faltam médicos. Para minha família, que pode pagar um convênio.

Em muitos países do exterior, o índice de médicos estrangeiros em atuação chega a 20, 30%. Enquanto isso, no Brasil temos aproximadamente 1,7%. É de fato um tabu a ser quebrado, em conjunto com a xenofobia que prevalece ainda no país.

 “a única ideologia que deve prevalecer na saúde é salvar vidas, cuidar das pessoas” – Alexandre Padilha, ministro da Saúde

Mesmo oferecendo um salário maior aos médicos para atuarem em regiões mais carentes do país, poucos aceitam. E assim, o governo é obrigado a importar médicos de países como Cuba, Argentina, Uruguai, Espanha e Portugal. Esses países possem índices de pelo menos 1,8 médicos por mil habitantes, por isso estão aptos segundo o programa criado recentemente pelo governo federal, o “Mais Médicos”.

Não vou nem entrar no mérito que a revista Veja levantou sobre o possível ataque comunista com a vinda dos médicos cubanos, porque isso é doentio. Mas há uma necessidade que é entender que os médicos lá formados são os melhores do mundo, com uma formação voltada para o lado mais humano possível. E o sistema de saúde em Cuba funciona muito bem, com tudo sendo oferecido de graça. Ter médicos cubanos trabalhando em regiões carentes do Brasil é, além de uma necessidade emergencial, experiência de aprendizado para o nosso país.

O pensamento elitista que envolve essa situação é preocupante se percebermos que até mesmo o sindicato dos médicos se mostra contra a importação dos médicos. Uma medida que seria, em tese, uma ajuda substancial aos mesmos, visto que o problema da carência de profissionais de saúde diminuiria, acabou sendo demonizada por eles, sendo motivo até mesmo de manifestações. O programa “Mais Médicos”, criado para levar profissionais de saúde para regiões carentes começa a se desenhar agora. Vai priorizar médicos brasileiros, sem esquecer dos estrangeiros para completar qualquer carência que for percebida. Também prevê abrir 11.447 vagas em faculdades de medicina até 2017 e aumenta, a partir de 2015, a grade curricular de faculdades públicas e particulares em dois anos. Dois anos esses importantíssimos, pois serão formações voltadas para atenção básica e setores de urgência e emergência. Um ponto impactante da medida é que todos os estudantes deverão trabalhar ao menos dois anos no SUS antes de poderem cursar a residência. Então, para finalizar o texto, deixo aqui uma frase do Mercadante, bastante precisa, sobre a polêmica:

“Chamo a atenção pra vocês, a pergunta que eu deixo: Por que é que no Fies que tem 24 mil estudantes de medicina hoje, eles vão ficar 8 anos trabalhando no SUS para pagar e ninguém criticou? Querem a resposta? Porque são estudantes de medicina pobres, ninguém criticou. Ninguém questionou”

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Sobre Cássio Suzuki

Atualmente estudando publicidade e propaganda na Universidade Metodista de São Paulo, viciado em café e futebol. Leitor e agora autor nas horas vagas (que não são poucas).

2 comentários em “Médicos estrangeiros: O debate é a vida

  1. Nique Lima
    17 de julho de 2013

    Apoio fundalmentalmente o programa brasileiro para trazer médicos estrangeiros. Enquanto futura estudante universitária do curso de medicina, acho um absurdo a negação da falta de médicos nos hospitais e unidades de pronto atendimento públicos do país. Falta sim, e muito. E não estou me referindo as regiões Norte e Nordeste, falo daqui mesmo. Quem nunca foi ao hospital e a recepcionista lhe atendeu com um “Estamos sem pediatra hoje…” ou “Nessa unidade nao temos oftal…” ou “Voce será transferido para tal lugar, só lá tem ortopedia.”? Quantas horas você já não teve que esperar sentado, com dor, porque só tinha um médico de plantão? E se por aqui é assim, imagina como é nas regiões mais afastadas, onde além de faltar profissionais, falta infraestrutura (não que aqui a infraestrutura esteja ótima).
    A questão econômica superou o princípio básico da profissão. Não querem mais salvar vidas, querem dinheiro. Médico nenhum quer sair da capital para o interior. Em termos de valores, um profissional competente não ganha menos de 20 mil reais, por mês, com trabalho regular. Por que ir pro sertão, sofrer com a falta de recursos

  2. Nique Lima
    17 de julho de 2013

    *Por que ir para o sertão, por exemplo, sofrer com a falta de recursos e ainda ganhar menos por isso?

    A formação na área da saúde, no Brasil, é voltada para resolver problemas. Ao contrário, a medicina cubana (uma das melhores do mundo) é voltada para a prevenção desses problemas. O sistemas de saúde da Espanha e de Portugal são dois dos melhores e contam com grande mão-de-obra cubana. Por que médicos brasileiros (que atuam em um sistema longe de ser reconhecido como relativamente bom mundialmente) se recusam a receber esses profissionais? Elitismo. Puro elitismo. “Esqueçam as pessoas, vamos ganhar dinheiro e preservar nosso status social. É isso que importa. Vamos fazer uma prova impraticável, assim ninguém passa e podemos continuar com nosso monopólio :].”
    Médicos estrangeiros nas áreas deficientes poderiam compartilhar conhecimento e enriquecer culturalmente.
    Por um país sem plantões de 48 horas (ou mais!)!

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Publicado às 17 de julho de 2013 por em Sociedade e marcado , .
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